Quarta, 13 Dezembro 2017 20:32

CONSUMO, PADRÃO QUE SE REPETE

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Alimentos mais baratos e alívio na dívida das famílias permitiram retomada dos gastos. Mas PIB com esse perfil tem fôlego curto.

Chama a atenção que, num país com 12,7 milhões de desempregados, o consumo tenha sido o principal componente a explicar a alta do PIB. Do crescimento de 0,1% registrado frente ao segundo trimestre do ano passado, os gastos das famílias responderam por 0,8 ponto percentual (outros setores tiveram contribuição negativa, como a variação de estoque). Foi o fator mais relevante para o crescimento, superando até mesmo o 0,6 ponto percentual das exportações.
A liberação de R$ 44 bilhões das contas inativas do FGTS é só uma pequena parte da explicação. Inflação baixa – e com preços de alimentos em queda -, juros esbarrando nas mínimas históricas do país e o fim de um ciclo nos quais as famílias, a duras penas, reduziram drasticamente suas dívidas (processo que os economistas chamam de desalavancagem) permitiram a volta às compras.
Em meio às notícias ruins na política, na segurança pública e mesmo na economia, a sensação de bem-estar dos brasileiros está muito longe de ter voltado ao patamar pré-recessão.
Mas, com um pequeno alívio na renda, as famílias voltaram a consumir porque, em alguns casos, não dá mais para cortar: se o fogão de casa pifou, é preciso comprar um novo; se a sandália de ir à escola arrebentou, os pais têm de substituí-la. E, com metade dos brasileiros ganhando menos que um mínimo, como mostrou pesquisa recente do IBGE, uma queda de 5% nos preços dos alimentos (em 12 meses até outubro) faz toda a diferença para fazer sobrar um pouquinho de salário no fim do mês.
A recuperação do consumo – foram três trimestres seguidos de alta – coincide com o fim da recessão brasileira. Se isso representa um refresco para as famílias, traz por outro lado perspectivas pouco auspiciosas para o fôlego da economia. Se depender do consumo, diante da expansão ainda muito incipiente e pouco disseminada dos investimentos, o Brasil poderá repetir a fórmula das “retomadas-pós-recessão” anteriores. Cresce, porém não engana uma trajetória sustentada e duradoura de desenvolvimento econômico.

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