Quarta, 29 Novembro 2017 18:28

ORGÂNICO POR UM BOM MOTIVO

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O mundo caminha para um consumo cada vez maior de alimento orgânico.

A Dinamarca, por exemplo, começou há 25 anos uma política agrícola-ambiental que vai torná-la, até 2020, o primeiro país do mundo a ter sua produção de alimentos 100% orgânica. Está conseguindo isso graças a um forte trabalho de conscientização e por intermédio de subsídios aos pequenos agricultores.
Resumidamente, o alimento orgânico também pode ser chamado de agroecológico – a agroecologia pode ser definida como o estudo da agricultura a partir de uma perspectiva ecológica. É aquele produzido de forma sustentável, respeitando-se e não agredindo o meio ambiente e não utilizando fertilizantes químicos e, muito menos, os defensivos agrícolas químicos, os chamados agrotóxicos. Diga-se de passagem que o Brasil é o país que mais usa agrotóxicos no mundo, inclusive vários que são proibidos em diversas partes do planeta, banidos da Europa e dos Estados Unidos.
A produção e o consumo de orgânicos se dão por duas razões básicas: aumento do que chamamos de consciência ecológica e o desejo de se consumirem alimentos mais saudáveis.
No Brasil, caminha-se ainda lentamente, mas caminha-se, o que faz com que os produtos ainda sejam caros e fora do alcance da maioria. Mas o fato é que a produção vem aumentando ano a ano e os preços, de maneira geral, diminuindo.
Os números são interessantes. Segundo a Coordenação de Agroecologia da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo (Coagre), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a área de produção orgânica no Brasil pode ultrapassar os 750 mil hectares registrados em 2016, graças, principalmente, à agricultura familiar – cerca de 75% dos produtores registrados no cadastro Nacional de Produtores Orgânicos são agricultores familiares. Cooperativas agrícolas dedicadas unicamente à produção orgânica espalham-se por todas as regiões do Brasil, mostrando que os agricultores familiares reconhecem na agroecologia e na produção orgânica uma maneira de comercializar alimentos com valor agregado.
Em apenas 3 anos, houve um alto de 6.700 unidades de produção (2013) para aproximadamente 15.700 (2016). Ou seja, foi registrado mais do que o dobro de crescimento deste tipo de plantio no Brasil. Em 2016, o mercado de orgânicos no país faturou mais de R$ 3 bilhões, além de U$ 145 milhões em exportações. Segundo a Coagre, em 2017 a área de produção orgânica no Brasil pode ultrapassar os 750 mil hectares registrados em 2016. Em 2016 o crescimento da produção foi de 15% em relação a 2015. E para 2017 o setor prevê um aumento entre 25 a 30%.
Entre as regiões que mais produzem alimentos orgânicos, o Sudeste fica em primeiro lugar, totalizando 333 mil hectares e 2.729 registros de produtores. Seguem-se o Norte (158 mil hectares), Nordeste (118,4 mil), Centro-Oeste (101,8 mil) e Sul (37,6 mil).
Embora a Companhia Nacional de Abastecimento, órgão do governo federal, não diferencie a produção orgânica da convencional (com agrotóxicos e outros aditivos químicos) na sua estimativa atual de safra, tudo indica que o Brasil é, hoje, o maior produtor de arroz orgânico da América Latina. Esse arroz, comercializado pelo MST, é produzido em 22 assentamentos diferentes, envolvendo 616 famílias gaúchas. Essa informação foi, inclusive, objeto de reportagem da BBC inglesa. A safra prevista para 2017 é de 27 mil toneladas.
Em suma, orgânico é economia, é saúde, é proteção ambiental...

 

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