Formulação de cosméticos ganha peso estratégico em mercado de beleza mais competitivo

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Expansão de marcas independentes e aceleração do modelo DTC ampliam a importância dos bastidores da criação de produtos no setor de beleza.

O crescimento acelerado das marcas independentes de beleza está ampliando a atenção sobre uma etapa que, durante anos, permaneceu restrita aos laboratórios e às áreas de pesquisa e desenvolvimento: a formulação dos produtos. Em um mercado mais competitivo e pulverizado, a capacidade de desenvolver cosméticos com desempenho consistente passou a ser vista como um diferencial cada vez mais importante para empresas que buscam crescer e se consolidar.

A mudança acompanha a evolução do próprio setor. O avanço do e-commerce, das marcas nativas digitais e dos modelos de venda direta ao consumidor (DTC) reduziu barreiras de entrada e permitiu que novos empreendedores chegassem ao mercado com mais rapidez. Ao mesmo tempo, aumentou a pressão para que essas marcas consigam sustentar crescimento, manter qualidade e se diferenciar em um ambiente marcado por lançamentos constantes e alta competitividade.

De olho nessa discussão, a engenheira química e cosmetóloga Adriana Souza acaba de lançar O Ativo Invisível, que será apresentado oficialmente ao público neste 12 de junho, na Livraria da Travessa do Shopping Villa-Lobos, em São Paulo. Com 25 anos de atuação na indústria cosmética e participação no desenvolvimento de mais de 1.500 produtos, a autora reúne na obra os bastidores da criação de cosméticos e busca aproximar conhecimentos tradicionalmente associados à engenharia do universo de negócios de beleza.

Capa do livro intitulado “O Ativo Invisível”, de Adriana Souza, apresentando dois frascos conta-gotas de vidro em tons de azul e estruturas moleculares ao fundo, relacionadas a marcas de beleza. Os nomes dos colaboradores e da editora também constam na capa.
Capa do Livro “O Ativo Invisível” de Adriana Souza/Foto:Divulgaçã

Formulação deixa de ser apenas uma questão técnica

A expansão do mercado trouxe novas exigências para as marcas. Consumidores mais informados, maior concorrência e ciclos de tendência mais curtos aumentaram a importância de atributos como desempenho, sensorial, estabilidade e consistência dos produtos. Com isso, a formulação passou a influenciar fatores que vão além da qualidade final percebida pelo consumidor: ela também afeta a capacidade de inovação, o ritmo de lançamentos, o controle de custos e a manutenção de padrões à medida que a empresa cresce.

Questões que antes costumavam ficar concentradas nas equipes de desenvolvimento passaram a fazer parte das discussões estratégicas de negócios, especialmente entre marcas que buscam crescer de forma sustentável e ampliar sua presença em diferentes canais de venda.

O desafio de transformar crescimento em escala

Criar uma marca de beleza nunca foi tão acessível, mas escalá-la continua sendo uma etapa complexa. À medida que os negócios crescem, ficam mais evidentes os desafios relacionados à produção, disponibilidade de matérias-primas, exigências regulatórias e manutenção do desempenho dos produtos. Afinal, o que funciona em pequenos volumes nem sempre se traduz automaticamente em operações maiores. Por isso, os bastidores da criação de cosméticos vêm ganhando mais atenção dentro da indústria. A discussão já não se limita à escolha de ingredientes ou ao desenvolvimento de fórmulas, mas envolve temas ligados à competitividade, eficiência operacional e capacidade de expansão.

É essa visão que Adriana Souza aborda em seu livro ao compartilhar experiências acumuladas ao longo de mais de duas décadas no setor. A publicação apresenta aspectos pouco visíveis da cadeia de desenvolvimento cosmético e mostra como decisões tomadas ainda na fase de formulação podem impactar o percurso de uma marca no mercado.

Uma mulher de cabelos castanhos longos e lisos, vestindo uma blusa preta com ombros à mostra e sentada em uma cadeira de cor clara, sorri para a câmera. Ao fundo, há uma parede com painéis de madeira e uma pequena mesa redonda.
A engenheira química e cosmetóloga Adriana Souza, autora de “O Ativo Invisível”/Foto: Acervo Pessoal

Do laboratório para a prateleira

Embora aconteça longe dos olhos do consumidor, a formulação influencia diretamente características que ajudam a determinar o desempenho comercial dos produtos. Textura, sensorial, estabilidade e capacidade de entregar os benefícios prometidos são fatores que afetam a experiência de uso e, como consequência, a recompra.

Para varejistas e fabricantes, a consistência entre lotes e a confiabilidade dos produtos também ganharam importância em um momento de maior concorrência e de consumidores mais atentos às composições e promessas feitas pelas marcas. Isso ajuda a explicar por que discussões antes restritas a formuladores e equipes de pesquisa passaram a despertar interesse também entre empreendedores, varejistas e gestores de marcas. Em um mercado cada vez mais movimentado, entender o que acontece antes do lançamento de um produto se tornou parte da própria dinâmica dos negócios de beleza.

Fonte: https://negociosdebeleza.beautyfair.com.br/formulacao-de-cosmeticos-ganha-peso-estrategico-em-mercado-de-beleza-mais-competitivo/