Pelo menos 70% das dívidas em aberto têm como principais credores empresas do ramo de serviços.
O número de empresas com dificuldades em pagar as contas segue crescendo no país. Dados do SPC Brasil e CNDL mostram que, no último mês de maio, frente ao mesmo período do ano passado, cresceu 9,37% o volume de empresas que tiveram o CNPJ negativado em virtude do não-pagamento de contas. Trata-se do maior crescimento observado na série histórica desde setembro de 2016, quando a alta apurada havia sido de 9,61%. Para o presidente do CNDL, José da costa, a saída da recessão ainda não se reflete em melhorias inequívocas na gestão financeira das empresas. “Apesar de a taxa Selic estar em seu piso histórico, os spreads bancários ainda são altos, o que inviabiliza um cuisto menor do crédito nas operações do dia a dia dos empresários. Além disso, o desemprego elevado desaquece as vendas, diminuindo a margem de lucro das empresas, assim como a perspectiva de investimentos”, explica o presidente.
A alta da inadimplência entre as empresas foi puxada principalmente pela região Sudeste, cujo crescimento foi de 16,54% na comparação entre maio de 2018 como pó mesmo mês do ano passado. Em segundo lugar ficou a região Sul (4,92%), seguida do Centro-Oeste(3,90%), Nordeste (2,94%) e Norte(2,10%).
Até o final do ano passado, vigorava uma lei que condicionava qualquer negativação de CNPJ ao envio de uma correspondência com aviso de recebimento. Como é um recurso mais custoso do que uma carta simples, algumas empresas deixaram de registrar casos de inadimplência. Quando a lei foi derrubada, os registros passaram a ser inseridos na lista de devedores de forma mais abrupta, causando um crescimento acentuado do indicador nesta região”, explica a economista-chefe do SPC Brasil, marcela Kawauti.